martes, 11 de enero de 2011

ser TerrAL

é abrir os olhos em direçao ao que normalmente nao se mira,
é abrir os ouvidos e escutar... escutar com muita paciência o que cada pessoa local tem a dizer...
é abrir os poros de toda a pele. deixar entrar a poeira, a agua, o sal, a pedra...
é abrir-se em direçao ao fogo que arde nas entranhas desta "tierra sin males" (Abya Yala que hoy tantos males tiene)...
ser TerrAL é abrir-se, e fazer tudo isso ao caminhar um caminho que ja tantas pegadas tem, rastrea-las, mapea-las... fazer que que estas huellas sejam ouvidas, reconhecidas, valorizadas!
ser TerrAL é mudar-se...

domingo, 9 de enero de 2011

Essência TerrAL

Tudo daqui para frente será atrativo, as paisagens, os encontros, as mulheres.
Ao escolhermos fazer parte do TerrAL, optamos não apenas em mochilar pela latinoamerica,
mas nos comprometemos em fazer uma investigação,
buscar por descortinar a realidade aparente, decifrar o concreto,
buscar pela poeira escondida em baixo do tapete,
contestar a desigualdade normalizada.
Ao elegermos o TerrAL como nosso projeto de vida, por 2,3,6 meses com dedicaçao exclusiva,
nossas identidades individuais estao mescladas na identidade coletiva construída na 1ª etapa do projeto.
Nosso cartão de visitas agora é TerrAL.
TerrAL nos acompanhará por muito tempo, seja com toda sua produção, seja pelas suas lembraças, sejo nos aprendizados tidos.
Ao estar no TerrAL fizemos escolhas, e escolhas representam optar por certos caminhos.
Ser um investigador brasileiro, percorrendo distintos territórios na busca em desvendar a realidade latinoamericana, suas contradiçoes,
entender seus caminhos percorridos, as escolhas locais, as pressoes globais,
narrar as esperanças, os sonhos e aquilo que nos une - que todos possam viver bem e integrados na natureza.
Ser TerrAL não é ser turista,
não é ser artista de rua,
não é ser artesão,
não é ser um acadêmico.
Ou melhor é ser tudo isso!
Buscar a medida certa de todas as partes,
potencializar cada momento rumo ao nosso objetivo - produzir um documentário sobre as territorialidades na América Latina.
Seja na ida a Peña, seja na ida a feira,
seja no mercado, ou na trilha da montanha.
Já não somos apenas nove, ja estamos tecendo uma rede,
somos fios de uma extensa rede de movimentos sociais (socioambientais) territoriais e planetários.
E por tudo aquilo que o TerrAL é e pode ser,
é o nosso comprometimento de estar agindo\sendo integrado com o projeto.
Em cada olhar o alimento para a criatividade.
Que façamos poemas! Cançoes! Espetáculos! Artesanatos! com essência TerrAL!
Rumo as veias abertas da América Latina!

Eduardo Cordeiro
Tilcara, 06/01/11 04h50

lunes, 3 de enero de 2011

Hidrelétricas no rio Madeira



Sob o slogan nacionalista “Integrar para não entregar”, o regime militar brasileiro iniciou na década de 1970 uma corrida para acelerar o crescimento econômico do Brasil e colonizar as terras amazônicas. A partir de então o governo incentivou a ocupação da região por colônias de agricultores do sul e nordeste do País, abrindo estradas, construindo barragens, incentivando a agricultura e a pecuária, desalojando as populações indígenas e comunidades tradicionais, ignorando o ritmo da floresta.

Ao longo dos anos, os grandes projetos de infraestrutura na Amazônia, principalmente as rodovias e as hidrelétricas, têm sido motivo de grandes polêmicas. Além dos impactos negativos sobre comunidades tradicionais e indígenas (conflitos de terra, deslocamentos forçados, expulsões etc.), tem havido problemas crônicos com a legislação ambiental e uso dos recursos públicos.

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Acampamento de obras das hidrelétricas do Rio Madeira - Wilson Dias O rio Madeira é o segundo maior rio da Amazônia. Sua bacia abrange uma área de 1,5 milhões de km divididos entre os territórios do Peru, da Bolívia e do Brasil. É formada pelos rios Guaporé, Mamoré e Beni, originários dos planaltos andinos.

Principal afluente do rio Amazonas, o Madeira tem 1.700 quilômetros de extensão, vazão média de 23 mil m /s e chega e medir 1,5 km de largura. Responde por cerca de 15% do volume de água e 50% de todo o sedimento transportado pelo Amazonas para o oceano. Esta enorme carga de sedimentos regula toda a dinâmica biológica das grandes áreas alagadas de várzea ao longo dos rios Madeira e Amazonas.

As ameaças

O rio Madeira está ameaçado por grandes projetos de infra-estrutura relacionados ao Complexo Hidroelétrico e Hidroviário do Rio Madeira, projeto âncora da Iniciativa de Integração da Infra-estrutura Sul-americana (IIRSA) e que também estão previstos no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado pelo Governo Federal brasileiro em 2007. Este complexo inclui a construção, na Amazônia Brasileira, das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, que juntas somariam 6.450 MW de potência instalada; de uma terceira hidrelétrica no trecho entre Abunã, no Brasil, e Guayaramerín, na Bolívia; e provavelmente, de uma quarta hidrelétrica na Cachoeira Esperanza, localizada no rio Beni, 30 km acima da sua confluência com o rio Mamoré, no estado de Pando, na Bolívia.

A conclusão deste complexo de barramentos, com eclusas, viabilizaria a operação de uma hidrovia industrial para a navegação de barcaças, com extensão de 4.200 km, permitindo o escoamento de mercadorias, como soja, madeira e minerais, para fora da região amazônica, a partir dos portos do Atlântico e do Pacífico. Outros projetos de infra-estrutura de transporte planejados para a região e relacionados com a proposta logística da hidrovia, incluem a pavimentação da Rodovia Cuiabá-Santarém (BR-163), no Brasil; do Corredor Norte, na Bolívia; e da Rodovia Interoceânica, no Brasil e Peru.

Além do previsível avanço do desmatamento que pode comprometer uma ecoregião identificada como um centro de diversidade e endemismo de espécies de plantas, estão em jogo também: a extinção e redução da diversidade de peixes, em uma área considerada como hotspot de ictiofauna; a acumulação de sedimentos e de mercúrio em níveis tóxicos nos reservatórios das barragens; e os impactos sobre as populações ribeirinhas, indígenas e urbanas.

A perspectiva de construção dos megaprojetos no rio Madeira já desencadeou graves conflitos políticos entre o Brasil e a Bolívia, críticas dos movimentos e organizações da sociedade civil dos dois paises sobre a condução do processo de licenciamento ambiental pelo governo brasileiro, e a revelação do envolvimento de empresas acusadas de corrupção.

A construção do chamado complexo hidrelétrico do rio Madeira, projetado pelo consórcio formado entre a empresa estatal Furnas e a construtora Odebrecht, está orçada em 25 bilhões de reais (cerca de 12,5 bilhões de dólares) . O projeto em si considera apenas as hidrelétricas de Santo Antônio, com localização a 5 km rio acima do centro de Porto Velho, a capital de Rondônia, com mais de 270 mil habitantes na área urbana, e a de Jirau, 136 km rio acima, juntas, com previsão de inundação de uma área de 529 km . Estes custos estimados podem ultrapassar os 40 bilhões de reais considerando as obras complementares.

Porém, da mesma forma que as estimativas de custos, o processo de licenciamento, a cargo do Ibama no Brasil, não considerou os impactos cumulativos das obras relacionadas, como a implantação da hidrovia, a pavimentação da malha rodoviária de conexão, e nem mesmo a construção de uma linha de transmissão de energia elétrica de 2.450 km, estimada em 10 bilhões de reais, necessária à distribuição da energia a ser gerada pelas usinas para as regiões mais densamente populosas do Brasil.

Fonte: www.riosvivos.org.br